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O Corpo que nunca é suficiente.

  • Foto do escritor: Daniela Cracel
    Daniela Cracel
  • há 4 dias
  • 1 min de leitura

🌿 BORBOLETE-SE


AUTOIMAGEM & PSICOLOGIA

O corpo que nunca é suficiente

Por Daniela Cracel | Psicóloga e Escritora


Você pode emagrecer.

Pode cuidar da pele.

Pode mudar o cabelo.

Pode se arrumar.

Pode se esforçar.


Ainda assim, em algum momento, algo em você vai sussurrar: não é o bastante.


Essa sensação não nasce no espelho — nasce na cultura.


Vivemos num tempo em que o corpo deixou de ser lugar de morada e virou projeto infinito. Sempre há algo para corrigir, melhorar, esconder, suavizar, preencher. O corpo virou tarefa. E tarefa não se habita — se cumpre.


Nos consultórios, mulheres não chegam dizendo “não gosto do meu corpo”. Elas chegam dizendo:

“Eu cansei de tentar ficar pronta.”


A prontidão virou sentença.

Estar pronta para existir.

Estar pronta para ser amada.

Estar pronta para ser vista.

Estar pronta para não incomodar.


A psicologia entende isso como autoimagem condicionada — quando a identidade passa a depender da aparência, da performance e da aprovação. O corpo deixa de ser casa e passa a ser vitrine.


E ninguém descansa em vitrine.

Esse modelo adoece em silêncio. Gera comparação, culpa, sensação constante de inadequação, dificuldade de prazer e uma espécie de cansaço que não vem do peso — vem da cobrança.


O corpo que nunca é suficiente não está pedindo dieta.

Está pedindo acolhimento.

Está pedindo que a mulher volte a existir antes de se corrigir.


Voltar a existir é voltar a sentir.

Voltar a sentir é voltar a morar em si.


O Borbolete-se começa aqui:

não como mudança de forma —

mas como retorno de casa.

 
 
 

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