E se a pessoa que você mais ama deixasse uma última missão? "O Mapa dos Desejos", da Netflix, parte dessa pergunta.
- Daniela Cracel
- há 25 minutos
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E se a pessoa que você mais ama deixasse uma última missão? "O Mapa dos Desejos", da Netflix, parte dessa pergunta.
Por Daniela Cracel

A adaptação do best-seller de Alice Kellen emociona ao transformar a dor da perda em uma reflexão sobre escolhas, recomeços e o verdadeiro sentido da vida. Mais do que uma história de amor, a produção convida o espectador a escrever o próprio mapa dos desejos.
Há séries que entretêm. Outras emocionam. E existem aquelas que permanecem conosco muito depois dos créditos finais. "O Mapa dos Desejos", da Netflix, pertence a essa última categoria.
Inspirada na obra de Alice Kellen, a produção fala sobre amor, perda e recomeços, mas seria injusto defini-la apenas como um drama romântico. Sua maior força está na pergunta silenciosa que acompanha cada episódio: quem nos tornamos quando perdemos aquilo que dava sentido à nossa vida?
Enquanto assistia, percebi que a história me provocava muito mais do que lágrimas. Ela me fez imaginar algo profundamente humano.
E se a pessoa que você mais ama soubesse que partiria amanhã? Que mapa dos desejos ela deixaria para você?
Talvez não fosse uma lista de países para conhecer ou de bens para conquistar.
Talvez dissesse:
"Perdoe quem você ainda não conseguiu."
"Volte a fazer aquilo que fazia seus olhos brilharem."
"Não adie aquela conversa importante."
"Passe mais tempo com quem realmente importa."
"Viva antes que a vida precise lembrá-lo de viver."
Como psicóloga, outra reflexão me atravessou.
Muitas vezes, o maior luto não acontece apenas quando perdemos alguém. Às vezes, vivemos o luto de nós mesmos.
A depressão, por exemplo, pode fazer com que uma pessoa sinta que perdeu partes da própria identidade. Sonhos parecem distantes. A esperança diminui. O futuro perde a cor.
Foi então que me fiz outra pergunta.
Se hoje você precisasse escrever um mapa dos desejos para reencontrar quem você é, o que colocaria nele?
Talvez escrever:
- Pedir ajuda.
- Dormir melhor.
- Caminhar olhando o céu.
- Abraçar quem faz você se sentir seguro.
- Voltar a ouvir aquela música.
- Recomeçar, mesmo sem todas as respostas.
Percebi que esse talvez seja o maior presente que a série oferece: ela não fala apenas sobre quem parte. Ela fala sobre quem permanece.
Sobre a coragem de continuar.
Sobre descobrir que viver não significa esquecer quem amamos, mas encontrar uma nova maneira de carregar esse amor sem deixar de caminhar.
No fim, saí da série com uma pergunta que deixo também para você:
Se hoje a vida lhe entregasse uma folha em branco intitulada "Meu Mapa dos Desejos", o que estaria escrito na primeira linha?
Talvez a resposta não mude apenas a forma como você vê essa história.
Talvez ela mude a forma como você escolhe viver a sua.
Daniela Cracel
Psicóloga | Neuropsicóloga | Colunista do Borbolete-se – Cultura & Entretenimento





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