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Por que algumas pessoas não conseguem assumir os próprios erros?

  • Foto do escritor: Daniela Cracel
    Daniela Cracel
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Por que algumas pessoas não conseguem assumir os próprios erros?


Negação, medo e imaturidade emocional explicam por que responsabilizar-se ainda é um tabu psicológico

Por Daniela Cracel – Psicóloga


Assumir um erro parece simples no discurso, mas, na prática, continua sendo um dos movimentos mais difíceis do ser humano. Em conflitos familiares, relacionamentos amorosos, ambientes de trabalho e até no espaço público, o que se vê com frequência são pessoas incapazes de olhar para os próprios atos, reconhecer falhas e se responsabilizar pelas consequências do que fizeram. Mas o que, afinal, acontece com essas “vistas” que não conseguem enxergar a si mesmas?

Especialistas em saúde mental apontam que o problema raramente está na falta de informação ou de inteligência emocional declarada. O que entra em jogo, quase sempre, são mecanismos psíquicos de defesa profundamente enraizados.


A mente que se protege da dor

Quando alguém evita reconhecer um erro, não está, necessariamente, sendo consciente ou propositalmente irresponsável. Muitas vezes, o psiquismo aciona defesas automáticas para evitar sentimentos difíceis como culpa, vergonha ou medo de rejeição. Negar o erro, distorcer os fatos ou transferir a culpa para o outro são formas de manter a própria imagem intacta — ainda que à custa da verdade.


O medo de se ver por inteiro

Reconhecer um erro exige contato com a própria imperfeição. Para pessoas emocionalmente frágeis ou com histórico de invalidação emocional, esse contato pode ser vivido como uma ameaça. Admitir falhas não é percebido como um gesto de maturidade, mas como um risco de desmoronamento interno.


Imaturidade emocional e aprendizagem

A responsabilidade não nasce pronta; ela é aprendida. Indivíduos que cresceram em ambientes onde errar era punido com humilhação, silêncio ou violência simbólica tendem a desenvolver adultos que fogem do erro a qualquer custo. Sem espaço para elaboração, o erro vira algo insuportável de ser encarado.


Quando o ego não suporta a falha

Em algumas estruturas psíquicas mais rígidas, especialmente aquelas marcadas por traços narcísicos, o erro é vivido como humilhação. Nessas situações, assumir responsabilidade significaria abrir mão de uma imagem de superioridade cuidadosamente construída. O resultado é a repetição de comportamentos defensivos, relações adoecidas e rupturas constantes.


Culpa não elaborada gera repetição

Curiosamente, quem não assume erros tende a repeti-los. Isso acontece porque a culpa, quando não é reconhecida e elaborada, não se transforma em aprendizado. Ela se desloca para ataques, acusações e ciclos de conflito.


Responsabilizar-se é um ato de coragem

Ao contrário do que muitos acreditam, assumir um erro não enfraquece — fortalece. É um sinal de maturidade emocional, consciência de si e capacidade de crescimento. A terapia, nesse contexto, surge como um espaço seguro para que o indivíduo aprenda a olhar para si sem se destruir, integrando falhas à própria história de forma mais humana e responsável.

Em tempos de relações rasas e defesas infladas, aprender a dizer “eu errei” talvez seja um dos gestos mais revolucionários da saúde mental contemporânea.

 
 
 

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