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VIVER SEM CULPA: quando desejar não é erro é vitalidade.

  • Foto do escritor: Daniela Cracel
    Daniela Cracel
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura


Viver sem Culpa: quando desejar não é erro, é vitalidade

Por Daniela Cracel – Psicóloga


Durante séculos, mulheres foram ensinadas a desconfiar da própria pulsação.


Sentir demais, desejar demais, pensar fora da norma sempre foi interpretado como ameaça — à família, à moral, à ordem. O resultado dessa herança não é virtude, é culpa. Uma culpa silenciosa, persistente, que não nasce do ato, mas do simples fato de estar viva.


Hoje, cada vez mais mulheres começam a nomear algo que sempre existiu, mas raramente pôde ser dito em voz alta: nenhuma relação dá tudo, e está tudo bem.


Essa constatação não invalida o amor, o cuidado, o projeto de vida em comum. Pelo contrário. Ela amadurece os vínculos, porque os tira do campo da idealização impossível e os coloca no terreno da realidade humana.


Quando o desejo não coincide com o roteiro


Na clínica, nas conversas íntimas e também fora delas, é comum ouvir relatos de mulheres que vivem relações sólidas, afetuosas, parceiras — mas que percebem que o desejo não ocupa mais o mesmo lugar. Isso não significa ausência de amor. Significa apenas que vínculo e libido não são sinônimos.


O problema não está em sentir isso. O sofrimento surge quando esse sentir é imediatamente traduzido como falha moral, traição interna ou defeito de caráter.


Desejo não é decisão ética.

Desejo é resposta do corpo, da fantasia, da vitalidade psíquica.


A ética começa no que se faz com ele — e, principalmente, no quanto se é honesta consigo mesma.


A culpa como instrumento cultural

A culpa feminina não é apenas individual. Ela é histórica, cultural e transmitida. É uma culpa que antecede o pensamento consciente. Surge antes da escolha. Antes, inclusive, da ação.


Carl Jung já apontava que muitas culpas não pertencem ao indivíduo, mas ao inconsciente coletivo — valores e interditos que atravessam gerações e continuam operando mesmo quando já não fazem sentido.


Nesse contexto, culpa não é consciência moral elevada. É muitas vezes apenas um mecanismo de controle

 
 
 

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